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De
uns anos para cá, o mercado de mangá no Brasil se transformou. Na década de
1990, os primeiros animês impulsionaram as tentativas da Animangá com Ranma ½
(1998), já em 2009 mais de três
editoras
publicam mensalmente títulos que ainda não foram completados no Japão, sem a
necessidade de um anime ou outros produtos para a escolha dos títulos. O mangá
se tornou um objeto com final em si e não um complemento de vendas para um
brinquedo ou anime ou álbum de figurinhas. É claro que o shoujo mangá demorou
um pouco mais para chegar por aqui, ajudado pelos pedidos do público, mas hoje
posso encontrar na banca títulos suficientes para não ter dinheiro para
comprar todos ao mesmo tempo. Não que os preços sejam muito caros, mas é que
a maioria de nós
ganha
pouco mesmo...
Diversas
dificuldades surgiram neste caminho, e só agora estamos conseguindo nos
encontrar neste mercado. Foi preciso um período de adaptação, como diferentes
formatos, opção de meio-tankobon para reduzir os preços, impressões
“espelhadas” (modo ocidental), problemas com traduções, gírias, nomes,
papel de baixa qualidade. Um exemplo claro foi a publicação de Peach Girl, que
teve sua publicação cancelada e retomada quase como uma novela mexicana por
causa do baixo número de vendas. Muitas pessoas podem discordar de mim, mas eu
acho que aqui no Brasil nós temos muita facilidade para discutir com as
editoras sobre o que nos atrai e o que não gostamos nos mangás. Talvez pelo
fato que os responsáveis pelos mangás nessas editoras, pelo menos em sua
maioria, também serem fãs, e não apenas trabalhadores contratados. Essa
liberdade de comunicação fica explicita em canais como Orkut, fóruns e até
mesmo uma seção de carta
Tudo que eu citei sobre shoujo mangá no Brasil também
pode ser relativo. Diferentemente do Japão, os título não são publicados em
capítulos em grandes revistas, o que facilita a sua classificação-, mas sim
em tanbokon
ou
meio-tankobons. Também a indiferença da maioria do público sobre essa
classificação, levando mais em conta a história ou a qualidade da arte do que
o seu público alvo. Essas foram algumas dificuldades que eu tive para
selecionar os títulos que cito no site, sendo de considerei também joseis e boyslove /
shonen-ai / yaoi como shoujos, e ainda também escolhi alguns títulos do CLAMP
que, em minha opinião, possuem uma classificação a parte. Por isso, peço a
compreensão de todos se a lista não estiver completa.



