Atualmente o Japão possui duas culturas: Um original do país e outra
trazida da China, mas pelos Coreanos.O Japão não possuía uma escrita até o século VI, quando houve o
primeiro contato com os asiáticos continentais. Até então as informações
obtidas eram encontradas através de escrituras chinesas, lendas e objetos
encontrados em escavações. Antes do período da escrita, o Japão era dividido
em clãs que lutavam entre sí para obter
o poder. Só no primeiro século, esses clãs atingiram um número maior de 100
até que no
século III, ocorreu a primeira unificação que dominou o território
de 30 clãs.
Yamataikoku foi o nome dado a essa unificação e ela era governada
por uma mulher chamada Himiko. Isto deve-se à economia do Japão, pois
até então o povo já havia se fixado à terra e a agricultara e a caça
dominavam a economia, havendo pouco indícios de comércio com a China.
"Filhos e searas se lhe afiguram dádivas sobrenaturais e são os
mistérios eflúvios emanados do corpo feminino que atraem para este mundo as
riquezas enterradas nas fontes misteriosas da vida" (BEAUVOIR, 1980).
Segundo Beauvoir, a procriação parecia ser um acidente. A fecundidade era
apreciada por todos mas apresentava-se totalmente desenvolvida pela mulher, que
era habitada pelas mesmas formas ocultas que habitam a natureza.
Com a chegada do budismo no século VI, a mulher é rebaixada tanto em sua
posição social
como religiosa. Até que finalmente, no período
Heian, a
mulher começa a recuperar seu valor. A Idade Média trouxe um grande aumento na
literatura feminina marcada por waka, que é uma forma de poesia
utilizada como forma de comunicação entre a corte. Genji Monogatari ou
"Contos de Genji" foi um importante romance escrito por Murasaki
Shikibu, que foi transformado em shoujo mangá na década de 80 por Yamato
Waki.
Os anos seguintes tiveram uma baixa no contexto da mulher na arte, que
retornou
somente no período Meiji com o fim das guerras internas e o fim do domínio
militar. Foi quando em 1911 aconteceu o marco na cultura feminina japonesa: foi
lançada a revista literária Seito, publicada somente por mulheres e
dirigida unicamente por mulheres. Na época havia um necessidade muito grande de
trazer uma revista de qualidade pois Joshibundan, uma outra revista feminina, não
conseguiu cativar o publico e tinha uma baixa qualidade.
A revista Seito era diferente. O primeiro volúme saiu do dia 1° de setembro
do mesmo ano com poemas de Yosano Akiko, romances de Mori Shige (esposa
de Mori Ogai), Tamura Toshiko, Mozume Kazuko, a tradução da obra
de Edgar Alan Poe, entre outros. Mas o que chamou mais a atenção das
leitoras foi a crônica feita por Hiratsuka, que começava assim:
No início a mulher era realmente o sol. Era a verdade
Agora a mulher é a lua. Vive pelo outro, brilha pela luz
Dos outros, é a lua pálida como rosto de doentes (...)
Isso refletia exatamente num sentimento guardado pelas japonesas até tal
momento pois antigamente, no período anterior à escrita quando houve a unificação
os clãs, esta era liderada por
Himiko, uma mulher forte e independente.
Nesta época a mulher era considerada uma figura mediúnica (Fujino,
1997). Contudo, Com o passar dos anos esse respeito foi diminuindo e a mulher
tornou-se a "lua", vivendo em função do marido e dos filhos,
abandonando a carreira após casar-se para cuidar da casa e da família.
Segundo Yoko Fujino, o nome da revista Seito foi baseado nas
mulheres londrinas do século VXIII que se reuniam
no salão da madame Montage, chamadas de Blue Stockings porque para
contrariar o costume da época, elas usavam meias azuis no lugar de meias
pretas. Seito significa e simboliza essas meias azuis.
A revista sempre mostrou a busca constante pela identidade feminina, a
informar e também discutir, a mostrar opiniões de mulheres sobre temas como
prostituição, métodos anticoncepcionais e gravidez. Mas a importância de
Seito está no surgimento da mulher como consumidora de mídia imprensa.
E finalmente em 1923, a Editora Kodansha lança Shoujo
Club, uma revista para
meninas, a "versão feminina" de Shounen Club, que era direcionada ao
público feminino. Hoje em dia, a mesma editora publica dez revistas parecidas
com a antiga Shoujo Club, mas a de maior sucesso atual é a Nakayoshi,
que publica atualmente séries mais conhecidas como "Sailor Moon" ou
"Card Captor Sakura".



