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Podemos dividir os mangás por década, começando em 1953, com Ribbon no Kinshi. Cada década teve seus trabalhos mais importantes e suas características comuns. São muitos poucos os que chegaram no Brasil.

Antes de 1950: Até a década de 50, todas as histórias destinadas para meninas e mulheres, sendo shojo ou não eram feitas por homens, e tratavam os problemas de modo muito superficial. Três títulos fizeram sucesso. Um deles é Tonda Haneko, onde a personagem principal é uma menina travessa, que se comporta da pior forma possível. Faz tudo o que uma garota deveria fazer na sua época: empina pipa, faz brincadeiras como se pendurar na tira de couro das barras dos ônibus. Esse mangá mostra um conflito na época, uma mistura do espírito de liberdade e das rígidas regras da sociedade. Anmitsu-hime é o segundo título. Esse trabalho publicado logo após o fim da 2º Guerra Mundial, é bastante curioso. Todos os personagens tem nome de doces, e nesse período eles estavam em falta, pelo racionamento do açúcar. E é nessa época também que aparece um dos shoujos de maior sucesso: Sazae-san. São tiras publicadas em jornal, que contam a história da Senhora Sazae: uma típica dona-de-casa que mostrava o novo ideal das mulheres pós-guerra.

1950 até 1960: Aqui aparece a obra mais importante publicada até hoje, Ribbon no Kinshi (A Princesa e o Cavaleiro). Sapphire virou a personagem mais importante da história e seu estilo e sua forma física tornaram-se padrão para as personagens seguintes. Magra, forte, não se deixa abater, com olhos brilhantes e longas pernas.  Alguns elementos introduzidos por Tezuka em 1953 ainda aparecem nos dias de hoje. Um dos motivos de sucesso de Ribbon no Kishi é a sua estrutura narrativa, que mantinha desde o começo suspense, graciosidade e um clima romântico. Até então, nenhuma história conseguiu unir esses elementos de forma tão talentosa. Nessa década também é comum a transição de mangakas do shonen para o shojo mangá, por inspiração de Tezuka. Algumas obras produzidas por esses mangakas são: Gambare Pari-chan, Aiken Taro e Kanoko-chan. Aqui aparece também as primeiras autoras de shojo mangá.  Aparecem as autoras Watanabe Masako e Maki Miyako, nos kashi-bom (revista de aluguel) e Mizuno Hideko com Guin no hanabira, publicado pela revista Shojo club.

1960 até 1970: Nesta acontece o contrário da década anterior. Os mangakas do shojos que migram para o shonén.  Normalmente eles mantém o seu sucesso. Fora isso, esta década pode ser considerada morta, mas o presságio do boom, que aconteceria na próxima. As personagens dessa época normalmente eram princesas de lindos olhos azuis, femininas e delicadas. Eram frágeis donzelas à espera de seu príncipe encantado num cavalo branco.

1970 à 1980: A década do boom. Começa aqui a consagração das autoras no shojo mangá. É nessa década que as mulheres começam a dominar o mercado. Algumas histórias tem uma característica comum: a ambigüidade sexual das personagens principais. Elas são criadas como homens, mas sabem que são mulheres. Normalmente isso acontece por algo relacionado com o pai ou o avô, sendo que as mulheres não teriam direito à heranças, fazer parte do exército, etc. Isso pode parecer estranho no começo, mas é uma libertação do espírito de igualdade, assim como o que acontecia no mercado de mangá com a aparição de tantas autoras. E também a curiosidade de saber como as pessoas são e agem do começo da década, vai se transformar em como o outro pensa e sente no final da mesma. Títulos importantes são Yuki no ko (A criança da Neve), Orpheus no mado (A Janela de Orpheus) e Versalles no bara (A Rosa de Versallies). Foi normal o fim trágico dentro das histórias dessa época. Todas desenvolvidas em um ambiente exclusivamente masculino: o colégio masculino em Orpheus no mado e a Guarda Real em Versalles no bara. As únicas figuras "femininas" são mães e irmãs. Houve também histórias envolvendo a Europa, mas não fizeram tanto sucesso. Candy Candy foi outro grande sucesso da década de 70, e talvez o mais popular no ocidente, de Igarashi Yumiko, com nove volumes. 

1980 até 1990: Na década de 80, as heroínas transformam-se em adolescentes não muito bonitas nem muito inteligentes, não são famosas, ricas ou com algo em especial: são as próprias leitoras. São meninas comuns que convivem o seu dia-a-dia do mesmo jeito que as leitoras e os problemas enfrentados muitas vezes irão ser parecidos. Mesmo que a história não for ambientada no Japão, os elementos e conflitos são os mesmos. OS problemas são comuns no dia-a-dia, como divórcio dos país, problemas com o namorado, estar apaixonado pela pessoa errada, e fatos sem muita importância.

1990 à atualidade: Vivem na solidão das metrópoles as personagens da década de 90. Takeuchi Naoko mostra em seu trabalho Bishoujo Senshi Seramun (A Graciosa Guerreira Sailor Moon) várias faces dessas personagens: Makoto mora sozinha, Ami mora só com a mãe pois seu pai separou-se e raramente a menina recebe um cartão de aniversário dele, Minako tem problemas com a mãe e Reiko é órfã de mãe e mora com o avô, pois seu pai é um político influente e não tem tempo de cuidar da filha. Já as personagens de Watanabe Naomi são jovens que geralmente vivem só, ou mesmo vivendo em família sentem falta de uma companhia. Watanabe conseguiu unir a ficção científica com algumas questões fundamentais, por exemplo o medo humano frente ao desconhecido, a morte e a loucura. Os trabalhos desta autora, como Niju rase (Dupla Espiral),  mostra como a revelação de origem poderia influenciar o destino de seres clonados. Estão bastante presentes garotas com super-poderes, em outros mundos, tudo com um sutil toque de magia, romance e o objetivo das personagens de voltar para casa e salvar o seu mundo. Shimizu Reiko também publica Milky way (Via Láctea) e Tsuki no ko (Criança da Lua), trabalhos parecidos com o de Watanabe. Neste último, Shimizu mescla o acidente nuclear de Chernobil com seres mitológicos como sereias e habitantes de outros planetas. Nos últimos anos, as personagens voltaram a ser colegiais e dominadas de novo com as leitoras. A massa de consumidoras está passando por uma série crise: o consumismo. Jovens tem sem seus guarda-roupas, milhares de conjunto e peças de roupas que são de uso quase descartável. Seus sapatos normalmente são plataformas de no mínimo 20 cm. Tomam muito sol e usam maquiagens nas cores branco e preto, para dar mais destaque, a conhecida "pintura panda". Mas, para manter este vício e comportamento, estas meninas vendem o seu corpo para conseguir dinheiro. Uma leva de mangás tratando do assunto invadiu as revistas das grandes editoras. Ueda Miwa mostra em seu trabalho Peach Girl, o cotidiano de uma meninas que tem a pele mais escura por excesso de melanina. Essa menina recebe ofertas de empresários o tempo todo para vender seu corpo, entretanto, Momo nega-se a isto. Mihona Fuji, tamém criou um mangá relacionado a este assunto: GALS. O nome vem de Ko-gals, como são chamadas as meninas que tem essa necessidade de consumir. Na história de Mihona, Ran tenta fazer suas amigas pararam de vender o corpo para ganhar dinheiro, mas a personagem principal é atingida por uma série de problemas fúteis como relacionamentos, como problemas mais sérios como a relação com os pais.